Lorenzo Carvalho

29 Janeiro 2013

Texto retirado da entrevista de Lorenzo Carvalho á revista "Notícias Magazine"

Lorenzo Carvalho é um brasileiro de 21 anos que chegou a Portugal no ano passado e dá nas vistas ostentando riqueza e dando festas de luxo. Filho de uma família com negócios nas pedras preciosas e cosmética, viveu entre o Brasil e Itália, tornou-se piloto da Ferrari em GT3 e diz querer comprar o Autódromo do Estoril. É apenas mais uma das suas extravagâncias...


O condomínio onde vive o jovem piloto de Ferraris Lorenzo Carvalho, na linha do Estoril, está cercado de seguranças. Na garagem, uma coleção de carros impressionantes - quatro Ferraris, um Bentley, um Porsche Cayenne, um Fiat 500 com 500 cavalos... Lorenzo surge sorridente. É difícil dizer no que se repara primeiro - as tatuagens que lhe sobem pelo pescoço e vão até aos dedos, o boné, que raramente tira, ou os sapatos com tachas e sola vermelha louboutiana... Não quer passar despercebido, este jovem. Aliás, desde que se mudou para Portugal, no verão passado, com os pais - Cleyci Rita de Carvalho, brasileira, e Luiz Carlos Leal, luso-brasileiro - tem promovido eventos para atrair jornalistas e figuras públicas. No passado dia 18 de Janeiro, com uma enorme festa, encheu a discoteca Lust, no Terreiro do Paço. E o anúncio de que quer comprar o Circuito do Estoril surpreendeu tudo e todos.


Um grito do Ipiranga precoce
A presença da mãe na vida de Lorenzo é uma constante. Filho único, vive com os pais que, divorciados, habitam a mesma casa. «Aos 13 anos, Lorenzo teve o seu primeiro carrinho», lembra a mãe, embevecida. O adolescente conta que brincava com um SLC K200, um microcarro de fibra de carbono, assinado pela equipa da italiana ATR Group que desenvolveu o corpo e os chassis de supercarros como o Enzo Ferrari, o Porsche Carrera GT ou o Maserati MC 12, antes de ter idade para conduzir. «A mãe sempre alimentou as loucuras dele e comprou os carros», graceja o pai.
Aos 16, Lorenzo terá decidido que não queria estudar. A mãe acedeu. «Quando eu tinha 16 anos, ela comprou-me três lojas de videogames, no centro de Milão, e comecei a ter a responsabilidade de gerir as minhas lojas, fazer as contas. Virou um trabalho e ficou chato, era melhor ter estudado», conta o piloto. Fez do seu passaporte um diploma: «Viajo a cada duas semanas, vou a Nova Iorque, França, aprendo muito mais conhecendo outras culturas.»


"Trust no one"
A adolescência privilegiada foi protegida pela riqueza da família. E a um nível a que não estamos habituados. Quando cumpriu 17 anos, por exemplo, Lorenzo ganhou o primeiro Ferrari. Depois de conduzir um ano sem carta, achou que o modelo estava ultrapassado e quis trocar. Um amigo, pai de família, que passou por certas dificulda-des e que ele trouxe para trabalhar com a sua mãe, apresentou-lhe um entendido em carros para fazerem negócio. «Nunca iria pensar que a pessoa com quem convivo todos os dias e que ajudo me vai prejudicar. Ingenuamente, entreguei o meu Ferrari e evaporou», recorda. Na sequência desse episódio fez uma tatuagem no peito que diz «Trust no one».
Desde os 13 anos que Lorenzo passou a colecionar no corpo símbolos, imagens, nomes. Começou com um pequeno dragão de Mulan , o filme da Disney, na perna, contra a vontade da mãe. Aos 17 entregava-se nas mãos de artistas de Los Angeles. Tem algumas especiais, como o Mike Tyson que leva ao peito, o «LA» no pescoço - a sua cidade favorita - e o nome «Laura» inscrito no braço, uma das mulheres da sua curta vida. Lorenzo é mulherengo e não esconde isso. É casado, tem uma filha, mas vai dizendo «sou homem, fazer o quê?». Mas protege a família dos holofotes e não fala mais sobre o assunto.


Lorenzo encontra-se com a Notícias Magazine na sua casa do Estoril. Está sentado à cabeceira da mesa, de boné, que raramente tira. Só cede o lugar ao avô - que veio visitar a família na casa que compraram no Estoril, de frente para a marginal, o Chalet da Condessa d"Edla (a viúva de D. Fernando II). Na outra ponta, mamma nostra, como chamam à matriarca da família - a mãe. Pelo meio, um corrupio entre família do Brasil, amigos de Itália, o sócio da mãe na cosmética, do Lichten-stein. Acrescentam-se pratos à medida que vai chegando gente. Não há «frescuras», como diriam os brasileiros, há comida servida em travessas, riso solto e conversas que começam numa língua e acabam noutra. Os telemóveis da mãe tocam persistentemente, ela atende sempre, mas já ninguém estranha apesar de não a pouparem à reprimenda: «Dá para des ligar à mesa?». Não dá. Depois da refeição, o piloto continua a tratar dos preparativos para a festa do dia seguinte, a Champanhe Shower Party, no Lust, em Lisboa, espaço que Lorenzo diz estar a negociar para a compra de uma parte maioritária. «Está com os advogados, mas quase tudo tratado.»
As festas são referências da sua vida. As de Saint-Tropez, Milão e Los Angeles, onde, garante, os amigos facilmente gastam «quinhentos, seiscentos mil ou um milhão por noite». E diz que já organizou eventos com mil pessoas, grandes DJ como Martin Solveig, DJ Ross e David Guetta. «Eles já passaram música para mim.» Na festa de aniversário dos 21 anos diz ter feito o recorde de uma discoteca ao comprar «duzentas garrafas de cristal [Louis Roederer]»- cada garrafa custa cerca de mil euros. «Diversão, mania ou ignorância, esse é o meu lado negro.»


É uma boa definição para a sua figura na noite da festa: apareceu sem boné, de pulseira tripla cravada de diamantes, T-shirt a deixar a descoberto as pinturas do corpo, pôs música, posou para os fotógrafos ao lado de figuras públicas como o cantor Mikael Carreira ou a actriz Sylvie Dias, o chef Henrique Sá Pessoa ou o escritor Domingos Amaral... Sempre ao seu lado, o segurança. «Tenho dois, são como meus irmãos, estamos 24 horas juntos. Não é questão de precisar, mas ajudam-me muito.»

  


Angel"s face, devil"s body é o lema de Lorenzo, dentro e fora de pista - é assim que se apresenta na sua página de internet. Um menino estranho, cujo espalhafato surpreende - por estas bandas é raro ostentar-se assim a riqueza, sobretudo em tempos de crise. O seu óbvio desafogo, explica-o a quem inevitavelmente o questiona com as origens e os negócios da família - nas pedras preciosas, dos avós, e na cosmética, da mãe. Ele próprio, que acabou de mostrar com orgulho a sua coleção de Ferraris ou sapatos Louboutin, garante que não é o consumo que o move. «Quando se tem a minha idade e tudo o que se quer - carros, joias, tudo - acaba-se por se perder a noção do valor do dinheiro, ir a certos sítios ajuda a perceber.»


Aponta a mesma razão para ajudar «120 crianças numa instituição no Brasil», doar o primeiro ano dos resultados da marca Understand 69 - em fase de lançamento, de momento com T-shirts à venda - às crianças do Instituto Português de Oncologia e associar-se à instituição Terra dos Sonhos. «Dar é fácil, eu gosto. Quando se tem tudo começa-se a procurar outro tipo de emoções. Isso ajuda a dar valor ao poder caminhar, ver, comer boa comida todos os dias. A minha avó sempre falou que "dinheiro a gente não leva no caixão", por isso a gente gosta de partilhar.» Quando se fala de sonhos por concretizar não sabe o que responder. «Talvez chegar à F1 se tiver de ser»... Sempre teve tudo o que o dinheiro pode comprar.

Fonte: http://www.jn.pt/revistas/nm/interior.aspx?content_id=3017124

4 comentários:

  1. Não o conhecia, mas tem uma história de vida impressionante ;)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Verdade, uma história de vida facilitada (de certa forma) mas muito interessante :)

      Eliminar
  2. Vida de luxos...
    http://oburguessocial.blogspot.pt

    ResponderEliminar